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Orações para a vestição de paramentos litúrgicos

Desde tempos imemoriais belas preces foram se incorporando ao ritual de preparo para a celebração da Santa Missa. Além das orações de exclusivo conteúdo espiritual, há aquelas que se referem a aspectos materiais, como a lavagem das mãos e a vestição dos paramentos.

 

Os paramentos, em si, têm sua origem nas vestimentas habituais do dia a dia das pessoas. No uso rotineiro os trajes passaram por modificações no decorrer das épocas, mantendo-se seu uso nos ofícios litúrgicos da Santa Igreja quando adquiriram simbolismo sagrado.

 

Algumas dessas orações são apresentadas abaixo, em tradução livre para o português a partir do original latino que é transcrito entre parênteses.

 

Inicialmente o sacerdote lava as suas mãos, enquanto recita a seguinte oração:

 

Fortalecei, Senhor minhas mãos, livrando-as de toda mancha para que eu, limpo de alma e de corpo, vos possa servir (Da, Domine, virtutem manibus meis ad abstergendam omnem maculam, ut sine pollutione mentis et corporis valeam tibi servire).

 

Além do aspecto higiênico, a limpeza das mãos tem um profundo simbolismo referente à passagem do profano ao sagrado, do mundo do pecado para o Santuário puríssimo de Deus.

 

O amito, peça de tecido retangular que envolve os ombros e o pescoço de modo que possa ocultar o traje habitual, tem sua origem em um tecido com que os antigos cobriam a cabeça, e simboliza o capacete – elmo – da fé com que se deve resistir aos inimigos. Ao vesti-lo recita-se a seguinte prece:

 

Colocai, Senhor, em minha cabeça o elmo da salvação, para que eu possa resistir às ciladas diabólicas. (Impone, Domine, capiti meo galeam salutis, ad expugnandos diabolicos incursus).

 

Há na carta de São Paulo aos Efésios a referência ao elmo ou capacete da salvação, o que se associa ao amito que deve proteger o portador – especialmente no que se refere a pensamentos e desejos maus – durante a celebração litúrgica.

 

A túnica, antigamente chamada alva, é um traje longo e branco que pode ser utilizado por todos os ministros sagrados, e que representa a veste imaculada que é imposta a todo cristão por ocasião do batismo. Simboliza a graça santificante recebida no primeiro sacramento da iniciação cristã, sendo considerada um símbolo da pureza de coração necessária para o ingresso na graça eterna da contemplação de Deus no Paraíso (Bem aventurados os puros de coração, porque verão a Deus, Mt 5, 8). Eis a oração a ser recitada enquanto se veste a túnica ou alva:

 

Fazei-me puro, Senhor, e limpai meu coração, para que, lavado no sangue do Cordeiro, possa fruir das alegrias eternas (Dealba me, Domine, et munda cor meum; ut, in sanguine Agni dealbatus, gaudiis perfruar sempiternis).

 

Pode-se ver, nessa oração, uma referência ao que se lê na Sagrada Escritura (Ap 7, 14): “Esses são os sobreviventes da grande tribulação; lavaram as suas vestes e as alvejaram no sangue do Cordeiro”.

 

Na cintura põe-se o cíngulo, uma corda que faz as vezes de cinto, enquanto se recita o seguinte:

 

Cingi-me, Senhor, com o cíngulo da pureza, e extingui em meu corpo o fogo das paixões, para nele floresça a continência e a castidade (Praecinge me, Domine, cingulo puritatis, et exstingue in lumbis meis humorem libidinis; ut maneat in me virtus continentiae et castitatis).

 

O cíngulo simboliza a virtude do auto-controle que São Paulo põe entre os frutos do Espírito Santo (Gl 5, 22).

 

A estola, paramento que distingue os membros do ministério ordenado, é uma faixa de tecido cuja cor pode variar conforme o tempo litúrgico ou a comemoração do dia. Ao vesti-la, recita-se a seguinte prece:

 

Restitui-me, Senhor a estola da imortalidade que perdi pelo pecado de nossos primeiros pais, e mesmo que eu seja indigno de acercar-me de vossos santos mistérios possa, contudo, merecer a felicidade eterna (Redde mihi, Domine, stolam immortalitatis, quam perdidi in praevaricatione primi parentis; et, quamvis indignus accedo ad tuum sacrum mysterium, merear tamen gaudium sempiternum).

 

Nos tempos antigos a estola era portada pelas pessoas como símbolo de autoridade.

 

A casula é, em sequência, o último paramento posto pelo presbítero para a celebração da Missa, e que é colocado sobre todos os demais. Tem esse nome por revestir todo o corpo. Ao vesti-la o sacerdote reza a seguinte oração:

 

Ó Senhor, que dissestes que “o meu jugo é suave e o meu fardo é leve”, fazei com que eu suporte tal peso de maneira a alcançar a vossa graça. Amem. (Domine, qui dixisti: Iugum meum suave est, et onus meum leve: fac, ut istud portare sic valeam, quod consequar tuam gratiam. Amen).

 

Nos antigos tempos a casula era usada pelas pessoas como uma capa nas estações chuvosas. A palavra é um diminutivo, que significa “pequena casa”.

 

 

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